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Fora da curva
O Palhaço, de Selton Mello Benjamin (Selton Mello), mais conhecido como palhaço Pangaré, viaja de cidade em cidade levando alegria com a trupe do circo Esperança. Ao lado do pai, o palhaço Puro Sangue (Paulo José), faz o público rir com suas piadas simples e suas estripulias, mas a verdade é que Benjamin não está feliz com os rumos de sua vida e quer encontrar sua verdadeira vocação. Em um cenário cheio de montanhas e muito calor, os artistas vivem sem dinheiro e cuidam, como podem e como sabem, um dos outros. Sabem que vida mambembe é assim mesmo: tudo pela arte e uns poucos trocados. Em sua simplicidade, em suas frases quase sempre na mesma voltagem e com uma dor lancinante no fundo da alma, Benja não entende como faz os outros rir, mas não encontra felicidade na vida, no que faz, nas pessoas que o cerca. E, por isso, resolve buscar a si mesmo, um amor e um ventilador. Diferentemente dos atuais filmes brasileiros, O Palhaço aposta no lado real das pessoas, mostra que não existe ninguém nem tão louco nem tão são e que existem muitas formas de amar. Aliás, Paulo José é mestre neste encantamento ao ensinar que com olhares, gestos imprecisos e com a dureza da vida é possível demonstrar amor, mesmo tendo recebido muito pouco da vida e das pessoas que o cerca. O filme é um cordel, uma poesia cantada, uma homenagem aos primeiros artistas que conhecemos e, Selton, que também dirigiu e co-roteirizou a produção, mistura gente nova, como Renato Macedo, Larissa Manoela e Giselle Motta aos veteranos Ferrugem, Jorge Loredo, Zé Bonitinho e Moacyr Franco, cujo personagem, aliás, com uma única aparição, arranca os melhores risos e sorrisos da plateia. Ao deixar o picadeiro para buscar a si mesmo, Benja leva o espectador a uma viagem pelo mundo dos sonhos, da imaginação, do amor puro e da sensibilidade, em resumo: a busca por si mesmo e pelos valores que move a cada um. Com num circo de verdade, O Palhaço é digno de aplausos de pé.
Escrito por Foradacurva às 18h22 [] [envie esta mensagem] [link] A imperfeição perfeita
A propaganda anuncia um show espetacular: o Circo Imperial da China. As pessoas fazem o boca a boca e dizem que a apresentação é um Cirque du Soleil in door. Os chineses são realmente bons na venda de produtos e, de fato, utilizam-se de belas imagens, tecnologia e muito contorcionismo para mostrar que os espectadores estão à frente de um show inesquecível. Para mim, no entanto, ganhou outros contornos ao me oferecer um dos maiores insights a respeito de perfeccionismo e como cobramos de nós mesmos o que só a gente espera oferecer. A trupe é realmente boa, as crianças nascem na Companhia e treinam vigorosamente, mas o que eles oferecem é um momento de entretenimento e não de perfeição. Em um dos números, o rapaz errou 6 vezes o salto, repito: 6 vezes, e conseguiu arrancar a maior salva de palmas da plateia quando acertou. O tempo todo, os artistas demonstraram isso. É um espetáculo arriscado, feito por humanos que, em sua essência, são seres imperfeitos. Então, por que não se divertir ao longo do caminho, mesmo não se chegando a perfeição? Minha régua está sempre lá em cima, mas qual a régua? Criamos uma expectativa de reconhecimento e de execução que só existe dentro de nós, sem, muitas vezes, aproveitar o aprendizado, as pessoas que cruzam o caminho e toda a experiência adquirida. Continuo amando o Cirque du Soleil e o prazer que dá de embevecer a alma com beleza, força e perfeição, mas também aprendi a amar a flexibilidade, persistência e generosidade consigo mesmo do Circo Imperial da China.
Escrito por Foradacurva às 22h10 [] [envie esta mensagem] [link] Lin Você chegou sem que de verdade eu o esperasse. Sua carinha me conquistou no primeiro olhar. Ate mesmo seus xixis sem aviso e sem freio algum não diminuíram meu amor. Seu chorinho nas primeiras noites, a primeira ida para interna-ló e ouvir o veredicto de que nao podia passar daquela noite me tiraram o chão; e me fizeram questionar ate mesmo minhas crenças: como eu posso gostar de uma coisinha tão pequena em tão pouco tempo. Estamos juntos faz 5 meses e nao tem preço você ouvir minha voz e ficar todo feliz ao me ver, nao tem preço saber que esta a minha espera e me procura pedindo carinho e atenção. Ate suas mordidas eu reclamo, mas adoro ver como se diverte com isso. Você nunca lera isso e também nunca entendera que nunca tive um bichinho só pra mim, mas e muito bom ver como você me faz feliz, como me faz companhia e como alegra meu dia, me fazendo ate chegar em casa mais rápido só para te ver. Eu amo você, Lin Escrito por Foradacurva às 22h55 [] [envie esta mensagem] [link] - Oi, filha, eu estava dormindo, pode me dar um café? - R$ 5 - R$ 5? - Sim, mas posso trazer gratuitamente suco, refrigerante ou água e amendoins sem custo algum - Mas eu preciso de um café... Por favor, me traz um. Hum, mas vem um lanchinho mais tarde, né? - Infelizmente não, mas a senhora pode olhar nosso cardápio e ver as opções pagas que temos - Obrigada, filha. Por favor, me traga, suco, amendoins e meu café.
Escrito por Foradacurva às 00h34 [] [envie esta mensagem] [link] "Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós." Escrito por Foradacurva às 22h13 [] [envie esta mensagem] [link] Intimidade intimida As experiências pelas quais você passa ao longo da vida, as situações constrangedoras, as doídas e tristes e, claro, as alegrias, beijos e amores vão te forjando. É como um mármore bruto que vai sendo lapidado pouco a pouco; algumas deixam marcas que te tornam uma pessoa melhor e outras fazem com que você perca oportunidade e pessoas. Na última quarta minha mãe fez uma cirurgia para retirada de uma hérnia. Era uma cirurgia razoavelmente simples e me propus a ficar com ela no hospital no período em que estivesse lá. Depois de voltar da cirurgia, a pessoa tem períodos de consciência, mais dorme que fica acordada e reclama muito de dor. Para quem acompanha, é duro ver que a vida não vale realmente nada, que dependamos do outro e que somos apenas pedaços de carne buscando voltar à vida, ao controle. Foi assim nas primeiras 12 horas. Nada estava bom, o calor lhe era insuportável. Eu me senti uma pessoa melhor por estar ali e poder abaná-la, tentar acalmá-la e lhe cobrir as partes íntimas para que ninguém a visse sem roupa. A noite foi dolorosamente longa e impiedosa. Ela de quando em quando acordava e eu não conseguia dormir. Para piorar o cenário, os pensamentos não me davam trégua. O tempo todo foi lhe ajudar a fazer xixi, a se mover vagarosamente na cama, a tomar um pouquinho de água e a acreditar que o mal-estar passaria. O momento da verdade foi o banho na manhã seguinte: ao secar minha mãe, olhei tão de perto sua pele que escorreram lágrimas de meus olhos. A pele já não tinha mais o mesmo viço que imaginei que tinha, sim, já são pernas de uma senhora de recém-completados 60 anos. Doeu ver tão de perto esta realidade. A intimidade que achei que tínhamos e as que vínhamos construindo nos últimos anos pareceu irrisória diante da verdade do corpo. Senti como se o tempo estivesse acabando para nós e que preciso correr para conhecer cada vez minha mãe e não deixá-la ir sem que de fato conheça seu âmago. Momentos como esse nos ensinam que as pessoas a quem amamos e que escolhemos para estar perto de nós não são perfeitas, são comuns até, cheias de defeitos, erros e contra-pontos. A graça da vida está em somar, em aprender, em conviver. Quando se perde, dá-se valor. Enquanto se tem, deve-se dar o amor. Escrito por Foradacurva às 23h34 [] [envie esta mensagem] [link] Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 Assistir a Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 é uma tarefa hercúlea para quem quer sair de lá com uma crítica seguindo os critérios adotados para avaliação de filmes. Primeiro porque a decisão da Warner em ganhar dinheiro e dividir o último livro em duas partes deixa o resultado comprometido, uma vez que a narrativa é interrompida sem um real fim, apesar do esforço da equipe em cortar em um momento crucial da história. Outra questão, e não menos importante, é que este filme, mais que qualquer outro, só faz sentido para quem leu todos os livros, conhece os personagens (e cresceu com eles!), sabe todos os nomes e compreende que o melhor ficou mesmo guardado para o final. Enfim, este filme só agrada em cheio aos fãs da série de Rowling. Para quem já se perdeu no número de filmes e não faz ideia de que parte dos livros este penúltimo filme se trata, Relíquias da Morte aborda a busca de Harry Potter (Daniel Radcliffe) e de seus amigos Ron (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) em encontrar e destruir as horcruxes para que Lord Voldemort definitivamente desapareça do mundo dos bruxos e dos trouxas. Com duração de 146 minutos e com tempo para explorar mais detalhes, o diretor David Yates contou com a ajuda de Eduardo Serra para explorar cenário naturais grandiosos (seguindo a fotografia espetacular de O Senhor dos Anéis) e permitiu que os jovens atores pudessem explorar um pouco mais sua veia artística. Neste penúltimo filme merece destaque a atuação de Ruper Grint (Ron Weasley) que pela primeira vez deixou de ser apresentado com o "panaca" da saga dos bruxos para ser um adolescente cheio de dúvidas, sonhos e medos, mas com muito bom caráter. Mais um ponto a favor de Yates é fazer a série acompanhar a idade de seu público, afinal como todos agora são adolescentes, os hormônios estão à flor da pele e gostam de brigas, paqueras, mortes, beijos e estão prontos para ver um pouquinho mais de sangue. Agora é esperar ansiosamente até julho de 2011 para ver o gran finale. Escrito por Foradacurva às 21h20 [] [envie esta mensagem] [link] Recebi hoje este texto por email, mas não consta autoria. De qualquer maneira, vale a pena lê-lo. Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá. Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio é outro, se a idade aumenta; conserve a vontade de viver, não se chega à parte alguma sem ela. Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for. Se não quiser perdoar, não perdoe, perdoar demais faz mal à saúde! “Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada”.
Escrito por Foradacurva às 12h18 [] [envie esta mensagem] [link] Uma vez na vida Coisas que só acontecem uma vez na vida: - um beijo bem pertinho da boca - uma tarde de amor embriagante - despedir-se de sua amiga sabendo que era mesmo a despedida final - receber ajuda de um estranho, voltar lá para agradecer e ele não morar na casa - olhar no fundo dos olhos de alguém, sentir tanto amor e chorar para deixar transbordá-lo - ser a primeira a ser lembrada num momento de alegria ou desespero - andar por uma rua, tomando chuva e achar a coisa mais bacana deste mundo - ver o amor declarado por você escrito na areia da praia e uma desconhecida ir te dar parabéns - encontrar alguém que não vê faz muito tempo e sentir que a amizade é a mesma - saber que você ajudou uma pessoa a se tornar uma pessoa melhor e o que mesmo aconteceu com você O que mais? Escrito por Foradacurva às 12h02 [] [envie esta mensagem] [link] Rio Janice morava no banheiro no Real Gabinete Português de Leitura, na Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Ficava feliz ao se admirar no espelho e perceber que permanecera jovem, mesmo depois de tantos anos ali, enclausurada em si mesma. Seus olhos azuis ou verdes, que nunca pudera descobrir no Photoshop o pantone exato, ainda brilhavam como no dia em que morrera. Na verdade, tentou se lembrar exatamente qual era a cor que ele se encontrava naquele dia e talvez, sim, talvez sim, ele estivesse um pouco mais escuro que normalmente no fatídico dia. Era muita tristeza e solidão para estarem exatamente iguais. Não sabia precisar exatamente a data de sua morte, até porque, como uma querida amiga dizia, a decisão sempre acontece muito antes da consumação do fato. O que tinha certeza é de que adorava o lugar em que morava agora. Tinha o conhecimento do mundo ali, naquela linda edificação. Construída em 1880, graças à mudança da família real portuguesa para o Brasil, que ocorrera em 1808, Nice tivera a possibilidade e, tempo, claro, de ler os grandes pensadores do mundo, entender os acontecimentos, fazer correlações entre fatos em localidades diferentes e até mesmo acompanhar, sem sair de seu mundo, tudo o que acontecia nesses anos todos. No entanto, o que mais lhe impressionava é que os mesmos sentimentos que lhe tiraram a vida se passavam com tantas outras pessoas que entravam em seu banheiro. Depois das necessidades, muitas lavavam o rosto e respiravam profundamente, num misto de ansiedade e dor. “Como sobreviver ao mundo se não sobrevivo a mim mesma?”, pensavam muitas delas. Nice se espantava não por acreditar que esse pensamento era só seu, mas como em um átimo de solidão alguém poderia sentir todo o peso de sua alma num banheiro bonito, mas quase abandonado? Mais que isso, como aquele banheiro poderia ser usado para desprender energia, para liberar o peso que se estava sentindo e voltar à realidade? Agora, cada vez menos seu banheiro era visitado. Pouco a pouco, a biblioteca vinha deixando de ser fonte de referência; tudo agora podia ser encontrado na Internet e para quê sair de casa e ir a uma praça cheia de mendigos, que fedia antes das 10 horas da manhã? Em sua especialidade, Nice era capaz de ler almas e de compreender que muitas pessoas passavam a vida tentando mostrar aos outros seus valores e que se frustravam ainda mais quando percebiam que seus esforços eram em vão, pois nunca conseguiam mostrar o que achavam que eram; e as pessoas nunca conseguiam ver como elas sonharam por toda a existência. Nesse jogo da vida, Nice foi definhando e morreu de tristeza. Nunca conseguiu ser amada como gostaria, nunca conseguiu o reconhecimento que sonhou e nunca teve a paz interna que buscou. Sentia-se confortada ao ver que outras pessoas também passavam pela mesma situação e com inveja por saber que elas não viam que o mais difícil estar em aceitar a si próprias, com suas limitações e qualidades. Entendia a sensação de fracasso e sabia quando elas já haviam entregue os pontos, consumando apenas o fato, após um longo período de constatação. O expediente chegara ao fim e a luz se apagou por completo. Sentada em seu vaso preferido, Nice leu o poema de Fernando Pessoa de que mais gostava: “Para ser grande, sê inteiro: nada Escrito por Foradacurva às 21h13 [] [envie esta mensagem] [link] Rodada Seu time do coração havia acabado de ganhar uma partida que o colocava, mesmo que por alguns instantes, na primeira colocação da tabela. No estádio lotado, com milhares de outros torcedores, se sentia a pessoa mais sozinha do mundo, mesmo com todos aqueles fogos, abraços e gritos de guerra. Na noite anterior não fora diferente, saiu com os amigos para tomar uma cerveja, ver se seus pensamentos mudavam um pouco de foco, mas a sensação ali se fez presente como nunca antes: se sentia só, muito só, como nunca antes na vida. O que achava mais impressionante é que as pessoas gostavam de sua companhia, de suas piadas, de seu jeito espontâneo e divertido, mas sentia falta de que as pessoas também vissem que era uma pessoa conservadora em seus valores, cheia de princípios, medos e sonhos. Que era uma das pessoas mais justas, honestas que já conheceu, mas que seu jeito extrovertido podia confundir ou até mesmo enganar a todos, inclusive os mais, mais próximos. Ali, no estádio quase vazio, viu sua vida passar. Lembrou dos erros e acertos, pediu alguns perdões a si, aos que magoou e a Deus. Do alto da arquibancada, tinha seu coração apequenado de tão apertado e doído. Queria quem não se permitia viver por medo de experienciar, tinha sonhos que não podiam ser realizados ou que nunca puderam e não percebeu. As lágrimas escorriam quentes e sem parar, num misto de dor e desespero. Chegaram os garis e os últimos vendedores de salgadinhos contavam a féria do dia. Tinha vontade de tentar explicar a aqueles que nunca tinham visto antes quem era, mas o que adiantaria? Se quem você mais ama não confia, não lhe dá crédito ou não percebe quem você realmente é, como quem só pode ver a casca pode te entender e amar? Como havia previsto, no estádio agora completamente vazio, o placar anunciava o gol do rival e a volta para a primeira posição do campeonato. Nem isso tinha mais para agarrar, só lhe restava esperar a próxima rodada. Escrito por Foradacurva às 00h40 [] [envie esta mensagem] [link] Tropa de Elite 2: agora o inimigo é outro Em 2007, quando Tropa de Elite estreou por aqui, causou vários sentimentos e opiniões nos espectadores. Teve gente que se divertiu com os bordões, palavrões e com os tiros sem fim, os que concordaram com a carnificina e tortura; e também uma classe média chocada por ter sido representada como culpada pela situação caótica, dramática e violenta do Rio de Janeiro ao consumir maconha e cocaína delivery. Na continuação da saga do Bope, o diretor José Padilha e o roteirista Bráulio Mantovani "corrigiram" as principais reclamações dos fãs, que pediram uma participação ainda maior do Capitão Nascimento (Wagner Moura) e também se apronfundaram na discussão dos motivos pelos quais o Rio de Janeiro se encontra abandonado e corrompido. Além disso, reforçaram a segurança e não permitiram que cópias piratas do filme fossem feitas antes até da estreia nos cinemas. O que pode se ver nas telas agradou em cheio aos fãs e aos críticos. Moura agora é o narrador e protagonista da história e está ainda mais à vontade em seu papel. Padilha, por sua vez, toma sim partido e defende suas opiniões ao propor um debate ainda mais ampliado, desta vez falando de drogas, mas também de tudo o que acontece nos bastidores da polícia, favelas, segurança pública e política. Sob o mote de "o inimigo agora é outro", o filme retrata os conflitos pessoais e profissionais de Nascimento. O policial reaparece em cena 10 anos mais velho e está agora no comando do Bope, mas uma operação mal-sucedida em Bangu 1, que contou com a presença do ongueiro Fraga (Irandhir Santos), faz reviravoltas em sua vida e ele se torna subsecretário de Inteligência. Em suas novas funções, o Bope se transforma em uma verdadeira máquina de guerra e coloca o tráfico de drogas de joelhos, mas demora a perceber que ao fazê-lo está ajudando policiais e políticos corruptos. Para completar, Nascimento está separado de Rosane (Maria Ribeiro) e cheio de problemas de relacionamento com o filho Rafael (Pedro Van-Held), um adolescente de boa índole, mas reticente das intenções e da profissão exercida pelo pai. Além da ex e do filho, seu melhor amigo Mathias (André Ramiro) também não aceita que seu mentor tenha se rendido ao esquema. Padilha crítica todo o "sistema" ao apresentar o Brasil em época de eleições e uma Imprensa que se diz livre, mas que vive de rabo preso com os anunciantes, é sensacionalista e diz não apoiar os interesses políticos partidários. É nesse contexto que Nascimento cresce ainda mais, ora luta contra tudo e todos, lavando a alma de milhões de brasileiros que clamam por justiça e paz; ora se vê de mãos atadas e completamente engolido pela máquina que tanto criticou. A plateia, aliás, aplaude ao final da sessão e, em catarse, comemora todas as ações de Nascimento, mesmo que ele nem sempre siga as leis ou as regras, pois nele reside, antes de tudo, o desejo de um país melhor. Ao final, a câmera sobrevoa o Congresso Nacional e o herói didaticamente explica que não há inocentes, dando indícios de que a próxima abordagem serão os podereres Executivo, Legislativo e Judiciário. Os inimigos serão os poderosos e intocáveis. Escrito por Foradacurva às 20h57 [] [envie esta mensagem] [link] Sex and the City Sex and the City acabou em 2004, mas terminei de assistir ao último capítulo neste domingo. Baseada no livro homônimo de Candice Bushnell, a série conta a história de quatro mulheres que vivem em Nova York e que passam seus dias em busca de sua cara-metade. As primeiras temporadas soaram para mim por demais superficiais, mas prometi que assistiria até o final para ver o que encantou milhares de pessoas no mundo todo. Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) é a protagonista e narradora da história, minha irritação com ela beirava a vontade de lhe dar uns safanões. Gasta todo o seu dinheiro com sapatos, tem uma vida completamente desregrada, mora de aluguel e vive de sua coluna sobre sexo em um jornal, mas ela é o pilar de amizade entre as amigas, aquela que todas querem contar seus segredos, mesmo que num primeiro momento não pareça existir segredo entre elas. As amigas? Até para dar bastante tempero ao enredo e criar as conversas picantes sobre sexo e relacionamento, elas não têm nada a ver uma com a outra. Miranda (Cynthia Nixon) é uma advogada cética e bem-sucedida; Charlotte (Kristin Davis) é conservadora, otimista e completamente romântica. Por fim, o perfil mais intrigante é de Samanta Jones (Kim Catrall), uma quarentona bem resolvida e que faz soar genuíno seu desejo de apenas encontrar prazer sem compromisso. Nas seis temporadas, elas choram, riem, falam de tudo e de todos, divertem-se nos melhores clubes da cidade, curtem a noite fabulosa de New York e buscam rapazes que estejam à disposição de um relacionamento sério. Acho que o mais legal da série está em observar o crescimento e a maturidade pessoal que cada uma atingiu ao longo dos anos. A amizade as une, fortalece, ajuda a passar pelo percalços, dores, perdas, dúvidas e amores mal-sucedidos. Ah! Isso não é uma resenha, mas minhas impressões sobre a série. Então não posso deixar de falar dos sapatos fabulosos, das roupas de Carrie, principalmente da última temporada, e de sua relação cheia de idas e vindas com Mr Big (Chris Noth), um homem charmoso, carente e imaturo sentimenta Gostei muito do final sem final feliz e da certeza de que cada um pode mudar, crescer, aprender, viver com outro para ser uma pessoa melhor, mas você jamais pode mudar pelo outro, simplesmente para ter alguém do seu lado. Escrito por Foradacurva às 22h23 [] [envie esta mensagem] [link] Imperfeição Ao fazer uma entrevista de emprego, todo mundo se prepara para a pergunta fatídica: “qual é seu maior defeito?”. E nos preparamos tanto para o erro, que fica ainda mais difícil falar sobre qualidades, feitos e ações positivas? Na maioria das vezes, achamos que o entrevistador pode nos achar metido, com elevada auto-estima ou até mentiroso, “pois não é possível alguém ser tão bom assim”. A verdade é que sempre damos mais importância às críticas que aos elogios. É bem verdade também que ouvimos mais críticas que elogios, mas isso não acontece porque também mais criticamos que elogiamos? Ainda pior fica quando estamos falando de quem amamos. Quanto mais próximos, mais nos sentimos no direito de ter menos tato, de falar o que realmente pensamos. Queremos sim fazer o bem, melhorar a pessoa e conseguir que ela seja mais feliz, mas esquecemos que ali, à sua frente, existe uma pessoa com sentimentos, medos e visões que não necessariamente combinam com as suas. E por que supervalorizamos os defeitos e deixamos de lado as qualidades? Por que insistimos em lembrar de um erro e deixar de lado todos os momentos felizes que vivemos e sentimos? O medo de seguir, de experienciar, de viver bons momentos breca a possibilidade de ser realmente feliz. É como se o passado literalmente nos impedisse de prosseguir, com medo de que tudo se repita. Ali, no outro ombro, no lado oposto, está o futuro. Deixamos de vivê-lo por insegurança, pelo medo do novo, pela possibilidade de sofrer novamente. E como fica o presente? O presente é vivido porque o que reina é o medo do passado e do futuro. O presente deixa de ser um presente da vida e perde-se inúmeras oportunidades, momentos felizes, pessoas ímpares. Receita? Não, a única maneira é perdoar a si próprio e reconhecer-se de fato como pessoa imperfeita e que está a todo momento querendo ser melhor. É não projetar no outro aquilo que desejamos ser/ter, é não querer que o outro seja aquilo que queremos ser/ter. Viver não é fórmula matemática, mas é preciso aprender que união não é um, mas a soma de 2 imperfeitos. Escrito por Foradacurva às 21h08 [] [envie esta mensagem] [link] Chega de Saudade "Vai, minha tristeza, e diz a ela Chega de saudade, a realidade é que sem ela Mas, se ela voltar, se ela voltar Dentro dos meus braços Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim Vinícius de Moraes Escrito por Foradacurva às 20h54 [] [envie esta mensagem] [link] |
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