Fora da curva


26/06/2013


Impunidade: a base de tudo

Por princípio, uma sociedade sabe o que é ético ou não, de acordo com seus costumes e época. Sabe-se também os limites e as sanções que pode sofrer. E é muito simples saber se algo é ético ou não, respondendo a alguns questionamentos simples como: “Contaria o que fiz a minha família e amigos?” “Não me sentirei envergonhado?” ou “Conseguirei dormir tranquilo?”. No entanto, a pergunta máxima - e a mais básica de todas é:  “O meu ato beneficia a maioria ou a mim/minoria?” E é nela que reside a raiz dos problemas de nosso país.

A certeza de impunidade garante que qualquer pessoa deste país, que seja esperta, tenho os amigos certos ou saiba como manipular as brechas do Código Penal e do nosso Judiciário viva em berço esplendido, mesmo sendo réu confesso, condenado ou com todas as provas acachapantes e possíveis recolhidas em processo.

Falta de educação, saúde, moradia e transporte, corrupção, politicagem, compra de votos e contratos superfaturados, roubo, troca de apoio por verba extra para o Estado X ou Y, pessoas serem assaltadas e queimadas ou mortas porque têm ou não têm dinheiro só acontecem porque têm a certeza da impunidade, dos processos morosos.

Temos um Brasil incapaz de dar conta de si mesmo, do sistema penitenciário, da falta de tecnologia ou de controles rígidos. Mas temos um Legislativo e Executivos bastante espertos, que dizem que corrupção será crime hediondo, mas de que adianta se nenhum ou quase nenhum será preso por suas falcatruas? De que adianta categorizar comportamentos e ações se políticos e criminosos têm certeza de que nunca serão punidos, presos ou terão de devolver o que roubaram?

No final do dia, chega a fatura: temos a certeza da impunidade e a incerteza de um futuro melhor.

Escrito por Foradacurva às 21h51
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24/02/2013


Oscar e o Brasil

 

Na noite em que o mundo premia a indústria cinematográfica com o Oscar, fiquei feliz ao constatar que pela primeira vez o brasileiro pôde ver todos os filmes que estão concorrendo a estatueta. É verdade que Indomável Sonhadora só estreou nesta sexta, o que prejudicou bolões e outras discussões profundas, mas estamos sendo enfim inseridos no contexto mundial.

 

Outro indicador de que a economia mundial está ávida por novos mercados é que as salas de cinema brasileiras arrecadaram R$ 1,6 bilhão em 2012, 12% a mais que o ano anterior. Isso significou 15,6 milhões de espectadores que tiveram acesso a 330 longas no período. 

 

Grandes astros agora aceitam promover seus filmes por aqui. Parece besteira, mas há alguns poucos ano ninguém queria vir aqui pelo baixo número de salas de cinema que temos. No máximo, chegavam ao México, o que para alguns produtores ainda era considerado território americano.

 

Só para efeito de comparação, temos 2.355 salas de cinema, contra, por exemplo, 40.194 nos Estados Unidos, 36.112 na China, 10.189 na Índia e 4.971 na Nigéria.

 

A falta de domínio da língua inglesa, o alto custo de um ingresso (e da pipoca) e a falta de incentivo a pequenas salas de exibição ainda atravancam o desenvolvimento do cinema por aqui.

 

E essa é uma grande oportunidade de reflexão e avaliação da cultura e educação de nosso País. Cinema expande a mente, liberta a imaginação e proporciona conhecer outras culturas, formas diferentes de pensar, outros pontos de vista. Ficarei feliz quando 200 milhões de brasileiros descobrirem a mesma alegria que eu sinto toda vez que estou em uma sala de cinema.

 

Bom Oscar a todos!

 

Escrito por Foradacurva às 21h20
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04/01/2013


Escolha ou renúncia?

- Mamãe? Mamãe? Ainda posso te chamar assim?

- Você sempre poderá, Júlia.

- Então me explica mais uma vez porque não posso vir ao mundo?


- Porque você não existe mais.


- Eu existo! Estou aqui! Sou a menina sonhada, a sua menininha. Prometo ser uma boa filha, educada e falante. Como você!


- Hahaha, isso eu tenho certeza. Não é preciso prometer!


- Vejo amor em seus olhos, mamãe. Então me deixa nascer!


- Meu amor por você nunca morrerá. Você precisa entender, filha, que você não poderá existir porque metade de você não existe mais.


- Por favor, mamãe, me explica melhor?


- É tão difícil de dizer isso quanto a dor que sinto ao não te ter por perto. Você é o ápice de um amor, o maior amor que sua mãe já teve, mas por esse amor ter sido renunciado, você não existe no mundo físico. A minha Júlia, como foi sonhada, desejada e querida não ganhará vida.


- Eu sou apenas um sonho então?


- Não, meu amor. Você foi o único desejo real que tive pela maternidade, por construir de fato uma família, mas ao não existir mais esse amor, você não pode mais vir a esse mundo terreno.


- Posso nascer com outro nome?


- Filha, você é única. E, por isso, se nascer com outro nome, com outra carinha, você não será mais você.


- Mas, mamãe, eu quero viver!


- Você viverá para sempre em mim. Você será para sempre a prova mais viva de que a cada escolha, algo é renunciado.  Você é inesquecível, filha. Por Deus, não faça isso comigo!


- Por que você está chorando, mamãe?


- Ah, filha, é como estou tentando te explicar. Você sempre existirá em minha alma, mas nunca fisicamente porque não seria exatamente você...


- Tem algo que eu possa fazer, mamãe?


- Não, meu amor. Nem eu, nem você podemos mudar o curso da vida. Esse é o nosso segredo para sempre. Você só existirá em minha mente e eu na sua.


- Amo você, mamãe


- Eu também. Aliás, quero que saiba que você foi amada muito antes de que um dia pudesse imaginar. Você ganhou nome, sobrenome, rostinho, covinhas, feições antes de qualquer possibilidade de ser concebida. Júlia, minha eterna e insubstituível Júlia. Durma com os anjos, meu amor


- Obrigada, mamãe. Você pode ficar aqui comigo para eu não ter um sonho ruim.


- Sempre estarei com você, Júlia,  sempre. Agora durma.


- Amo você, mamãe


- Eu também te amo, minha princesa.

Escrito por Foradacurva às 23h39
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01/01/2013


Solteirice

 

A sensação é a mesma de quando noivei e as pessoas me cobravam de quando seria o casamento. Depois veio o casamento e quando viriam os filhos. Agora, quando terei um novo namorado. E é aí que mora o perigo e como cada stake holder (isso mesmo!) com o qual você interage, vê seu estado civil.

Família: a palavra que define é dó. A mãe olha você como se fosse uma largada no mundo, passando fome de carinho e de amor. Seu pai fica feliz por você estar sozinha, mas mesmo um desânimo por conta de sono, logo vem o seu super-herói perguntando se está tudo bem. Os demais membros da família olham e pensam (alguns até dizem) “coitada, desacompanhada outra vez”

Amigos próximos:  os mais chegados sabem que “antes só que mal acompanhada”, mas também alternam sentimentos de piedade, com sentimentos de orgulho por você ser livre e desimpedida

"Amigos" não tão próximos: esses são os que mais incomodam porque a graça é mesmo te sacanear. Mostram fotos de trastes para tirar sarro e dizendo que podem dar uma força, qualquer dia em que você está mais irritada é porque não tem companhia e, claro, tá estressada porque está sem sexo. 

Sociedade: Ora diz que você tem de transar mesmo, conhecer o mundo e as pessoas sem pensar no amanhã, ora te olha com dó e pensando o quão deve ser difícil já ter passado dos 30 sem filhos, sem marido, sem arrimo.

Você: não, não é legal ficar sozinha, se é isso que todos querem ouvir, mas ficar com alguém só para gastar energia não é e nunca foi a minha praia. Ir para o barzinho e os velhos babões acharem que você é uma mercadoria não faz meu perfil. É estarrecedor pensar nos imbecis que tiram foto com as garotas que conseguiram pegar no final de semana e exibem as fotos aos colegas na segunda como se fossem um catálogo de produtos. Solteira é a melhor escolha ao invés de ficar com uma pessoa que te magoa e que te engana. Os homens estão em falta? Não, simplesmente existem vários tipos de pessoas e ninguém sai com um crachá pendurado dizendo qual é a sua: “quero sexo casual”, “quero casar a qualquer preço”, “quero um relacionamento sério”.

Não, não é fácil chegar a uma festa sem ter alguém a seu lado para te dar apoio. Descobri que pode ser uma porta a seu lado, mas as pessoas te aceitam melhor se você não estiver sozinha. A verdade é que não sabem o que fazer com você, onde te colocar para sentar, como fazer para que você não pareça esquecida em um canto qualquer da sala ou do bar.

Não, não é fácil ter de decidir algumas coisas sem ter com quem compartilhar. Você tem seus pais e seus amigos, mas, às vezes, quer um ombro só seu para dividir um sentimento, um fato, um desabafo. Mas também tem o outro lado: ter alguém a seu lado só para constar? Sem chance. Não, não é fácil sentir medo ao passar muito mal de noite e estar sozinha, não ter ninguém para ligar quando você sofre um acidente ou passa por um perrengue no trabalho. Também não é fácil saber que todas as decisões financeiras dependem só de você, unicamente de você.

A solteirice é um período único, onde você se conhece como ninguém; descobre quem são seus amigos independentemente de quem está do seu lado; chora de solidão, quer alguém para abraçar depois de um dia pesado. No fundo, você aprende que se não se suporta, não se conhece, esse período pode ser um martírio. Aprende que ter alguém do lado não serve de nada se não é honesto, sincero, parceiro, leal mais que monogâmico.

Enfim, se não tiver nada bom para dizer a um solteiro, guarde para você. Compreenda que somos todos lua, às vezes minguante, às vezes nova e pronta para recomeçar. 

 

Escrito por Foradacurva às 19h34
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15/11/2011


 

O Palhaço, de Selton Mello

Benjamin (Selton Mello), mais conhecido como palhaço Pangaré, viaja de cidade em cidade levando alegria com a trupe do circo Esperança. Ao lado do pai, o palhaço Puro Sangue (Paulo José), faz o público rir com suas piadas simples e suas estripulias, mas a verdade é que Benjamin não está feliz com os rumos de sua vida e quer encontrar sua verdadeira vocação.

Em um cenário cheio de montanhas e muito calor, os artistas vivem sem dinheiro e cuidam, como podem e como sabem, um dos outros. Sabem que vida mambembe é assim mesmo: tudo pela arte e uns poucos trocados.

Em sua simplicidade, em suas frases quase sempre na mesma voltagem e com uma dor lancinante no fundo da alma, Benja não entende como faz os outros rir, mas não encontra felicidade na vida, no que faz, nas pessoas que o cerca. E, por isso, resolve buscar a si mesmo, um amor e um ventilador.

Diferentemente dos atuais filmes brasileiros, O Palhaço aposta no lado real das pessoas, mostra que não existe ninguém nem tão louco nem tão são e que existem muitas formas de amar. Aliás, Paulo José é mestre neste encantamento ao ensinar que com olhares, gestos imprecisos e com a dureza da vida é possível demonstrar amor, mesmo tendo recebido muito pouco da vida e das pessoas que o cerca.

O filme é um cordel, uma poesia cantada, uma homenagem aos primeiros artistas que conhecemos e, Selton, que também dirigiu e co-roteirizou a produção, mistura gente nova, como Renato Macedo, Larissa Manoela e Giselle Motta aos veteranos Ferrugem, Jorge Loredo, Zé Bonitinho e Moacyr Franco, cujo personagem, aliás, com uma única aparição, arranca os melhores risos e sorrisos da plateia.

Ao deixar o picadeiro para buscar a si mesmo, Benja leva o espectador a uma viagem pelo mundo dos sonhos, da imaginação, do amor puro e da sensibilidade, em resumo: a busca por si mesmo e pelos valores que move a cada um. Com num circo de verdade, O Palhaço é digno de aplausos de pé.

 

Escrito por Foradacurva às 18h22
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05/09/2011


A imperfeição perfeita

 

A propaganda anuncia um show espetacular: o Circo Imperial da China. As pessoas fazem o boca a boca e dizem que a apresentação é um Cirque du Soleil in door.

Os chineses são realmente bons na venda de produtos e, de fato, utilizam-se de belas imagens, tecnologia e muito contorcionismo para mostrar que os espectadores estão à frente de um show inesquecível. Para mim, no entanto, ganhou outros contornos ao me oferecer um dos maiores insights a respeito de perfeccionismo e como cobramos de nós mesmos o que só a gente espera oferecer.

A trupe é realmente boa, as crianças nascem na Companhia e treinam vigorosamente, mas o que eles oferecem é um momento de entretenimento e não de perfeição. Em um dos números, o rapaz errou 6 vezes o salto, repito: 6 vezes, e conseguiu arrancar a maior salva de palmas da plateia quando acertou. O tempo todo, os artistas demonstraram isso. É um espetáculo arriscado, feito por humanos que, em sua essência, são seres imperfeitos. Então, por que não se divertir ao longo do caminho, mesmo não se chegando a perfeição?

Minha régua está sempre lá em cima, mas qual a régua? Criamos uma expectativa de reconhecimento e de execução que só existe dentro de nós, sem, muitas vezes, aproveitar o aprendizado, as pessoas que cruzam o caminho e toda a experiência adquirida.

Continuo amando o Cirque du Soleil e o prazer que dá de embevecer a alma com beleza, força e perfeição, mas também aprendi a amar a flexibilidade, persistência e generosidade consigo mesmo do Circo Imperial da China.

 

Escrito por Foradacurva às 22h10
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03/05/2011


Lin

Você chegou sem que de verdade eu o esperasse. Sua carinha me conquistou no primeiro olhar. Ate mesmo seus xixis sem aviso e sem freio algum não diminuíram meu amor. Seu chorinho nas primeiras noites, a primeira ida para interna-ló e ouvir o veredicto de que nao podia passar daquela noite me tiraram o chão; e me fizeram questionar ate mesmo minhas crenças: como eu posso gostar de uma coisinha tão pequena em tão pouco tempo. Estamos juntos faz 5 meses e nao tem preço você ouvir minha voz e ficar todo feliz ao me ver, nao tem preço saber que esta a minha espera e me procura pedindo carinho e atenção. Ate suas mordidas eu reclamo, mas adoro ver como se diverte com isso. Você nunca lera isso e também nunca entendera que nunca tive um bichinho só pra mim, mas e muito bom ver como você me faz feliz, como me faz companhia e como alegra meu dia, me fazendo ate chegar em casa mais rápido só para te ver. Eu amo você, Lin

Escrito por Foradacurva às 22h55
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29/03/2011


- Oi, filha, eu estava dormindo, pode me dar um café?

A aeromoça, percebendo que a senhora não havia ouvido a explicação dada anteriormente, tenta ser muito sútil e começa a explicar. "Senhora, posso oferecer gratuitamente suco, água e refrigerante, mais amendoins, mas café a senhora tem de pagar..."

- Pagar o café? Quanto é?

- R$ 5

- R$ 5?

- Sim, mas posso trazer gratuitamente suco, refrigerante ou água e amendoins sem custo algum

- Mas eu preciso de um café... Por favor, me traz um. Hum, mas vem um lanchinho mais tarde, né?

- Infelizmente não, mas a senhora pode olhar nosso cardápio e ver as opções pagas que temos

- Obrigada, filha. Por favor, me traga, suco, amendoins e meu café.

 

Escrito por Foradacurva às 00h34
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26/01/2011


"Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós."
Clarice Lispector

Escrito por Foradacurva às 22h13
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11/12/2010


Intimidade intimida

As experiências pelas quais você passa ao longo da vida, as situações constrangedoras, as doídas e tristes e, claro, as alegrias, beijos e amores vão te forjando. É como um mármore bruto que vai sendo lapidado pouco a pouco; algumas deixam marcas que te tornam uma pessoa melhor e outras fazem com que você perca oportunidade e pessoas.

Na última quarta minha mãe fez uma cirurgia para retirada de uma hérnia. Era uma cirurgia razoavelmente simples e me propus a ficar com ela no hospital no período em que estivesse lá.

Depois de voltar da cirurgia, a pessoa tem períodos de consciência, mais dorme que fica acordada e reclama muito de dor. Para quem acompanha, é duro ver que a vida não vale realmente nada, que dependamos do outro e que somos apenas pedaços de carne buscando voltar à vida, ao controle. Foi assim nas primeiras 12 horas. Nada estava bom, o calor lhe era insuportável. Eu me senti uma pessoa melhor por estar ali e poder abaná-la, tentar acalmá-la e lhe cobrir as partes íntimas para que ninguém a visse sem roupa.

A noite foi dolorosamente longa e impiedosa. Ela de quando em quando acordava e eu não conseguia dormir. Para piorar o cenário, os pensamentos não me davam trégua.

O tempo todo foi lhe ajudar a fazer xixi, a se mover vagarosamente na cama, a tomar um pouquinho de água e a acreditar que o mal-estar passaria. O momento da verdade foi o banho na manhã seguinte: ao secar minha mãe, olhei tão de perto sua pele que escorreram lágrimas de meus olhos. A pele já não tinha mais o mesmo viço que imaginei que tinha, sim, já são pernas de uma senhora de recém-completados 60 anos.

Doeu ver tão de perto esta realidade. A intimidade que achei que tínhamos e as que vínhamos construindo nos últimos anos pareceu irrisória diante da verdade do corpo. Senti como se o tempo estivesse acabando para nós e que preciso correr para conhecer cada vez minha mãe e não deixá-la ir sem que de fato conheça seu âmago.

Momentos como esse nos ensinam que as pessoas a quem amamos e que escolhemos para estar perto de nós não são perfeitas, são comuns até, cheias de defeitos, erros e contra-pontos. A graça da vida está em somar, em aprender, em conviver. Quando se perde, dá-se valor. Enquanto se tem, deve-se dar o amor.

Escrito por Foradacurva às 23h34
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01/12/2010


Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1

Assistir a Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 é uma tarefa hercúlea para quem quer sair de lá com uma crítica seguindo os critérios adotados para avaliação de filmes. Primeiro porque a decisão da Warner em ganhar dinheiro e dividir o último livro em duas partes deixa o resultado comprometido, uma vez que a narrativa é interrompida sem um real fim, apesar do esforço da equipe em cortar em um momento crucial da história.

Outra questão, e não menos importante, é que este filme, mais que qualquer outro, só faz sentido para quem leu todos os livros, conhece os personagens (e cresceu com eles!), sabe todos os nomes e compreende que o melhor ficou mesmo guardado para o final. Enfim, este filme só agrada em cheio aos fãs da série de Rowling.

Para quem já se perdeu no número de filmes e não faz ideia de que parte dos livros este penúltimo filme se trata, Relíquias da Morte aborda a busca de Harry Potter (Daniel Radcliffe) e de seus amigos Ron (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) em encontrar e destruir as horcruxes para que Lord Voldemort definitivamente desapareça do mundo dos bruxos e dos trouxas.

Com duração de 146 minutos e com tempo para explorar mais detalhes, o diretor David Yates contou com a ajuda de Eduardo Serra para explorar cenário naturais grandiosos (seguindo a fotografia espetacular de O Senhor dos Anéis) e permitiu que os jovens atores pudessem explorar um pouco mais sua veia artística. Neste penúltimo filme merece destaque a atuação de Ruper Grint (Ron Weasley) que pela primeira vez deixou de ser apresentado com o "panaca" da saga dos bruxos para ser um adolescente cheio de dúvidas, sonhos e medos, mas com muito bom caráter.

Mais um ponto a favor de Yates é fazer a série acompanhar a idade de seu público, afinal como todos agora são adolescentes, os hormônios estão à flor da pele e gostam de brigas, paqueras, mortes, beijos e estão prontos para ver um pouquinho mais de sangue.

Agora é esperar ansiosamente até julho de 2011 para ver o gran finale.

Escrito por Foradacurva às 21h20
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26/11/2010


Recebi hoje este texto por email, mas não consta autoria. De qualquer maneira, vale a pena lê-lo.

Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá.
Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.
Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor é para todos.
Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.
Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode molhar só o seu.
As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as faces.
O sorriso! Esse você deve segurar, não deixe-o ir embora, agarre-o!
Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca a chave!
Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa.

Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio é outro, se a idade aumenta;

conserve a vontade de viver, não se chega à parte alguma sem ela.
Abra todas as janelas que encontrar e as portas também.
Persiga um sonho, mas não deixe ele viver sozinho.
Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho.
Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas.

Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for.
Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso.
Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam.
Olhe para o lado, alguém precisa de você.
Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca.
Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os.
Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também.
Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa  procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando  julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se  afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!

Se não quiser perdoar, não perdoe, perdoar demais faz mal à saúde!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se achá-lo, segure-o!

“Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada”.
Fernando Pessoa

 

Escrito por Foradacurva às 12h18
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18/11/2010


Uma vez na vida

Coisas que só acontecem uma vez na vida:

- um beijo bem pertinho da boca

- uma tarde de amor embriagante

- despedir-se de sua amiga sabendo que era mesmo a despedida final

- receber ajuda de um estranho, voltar lá para agradecer e ele não morar na casa

- olhar no fundo dos olhos de alguém, sentir tanto amor e chorar para deixar transbordá-lo

- ser a primeira a ser lembrada num momento de alegria ou desespero

- andar por uma rua, tomando chuva e achar a coisa mais bacana deste mundo

- ver o amor declarado por você escrito na areia da praia e uma desconhecida ir te dar parabéns

- encontrar alguém que não vê faz muito tempo e sentir que a amizade é a mesma

- saber que você ajudou uma pessoa a se tornar uma pessoa melhor e o que mesmo aconteceu com você 

O que mais?

Escrito por Foradacurva às 12h02
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16/11/2010


Rio

Janice morava no banheiro no Real Gabinete Português de Leitura, na Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Ficava feliz ao se admirar no espelho e perceber que permanecera jovem, mesmo depois de tantos anos ali, enclausurada em si mesma.

Seus olhos azuis ou verdes, que nunca pudera descobrir no Photoshop o pantone exato, ainda brilhavam como no dia em que morrera. Na verdade, tentou se lembrar exatamente qual era a cor que ele se encontrava naquele dia e talvez, sim, talvez sim, ele estivesse um pouco mais escuro que normalmente no fatídico dia. Era muita tristeza e solidão para estarem exatamente iguais.

Não sabia precisar exatamente a data de sua morte, até porque, como uma querida amiga dizia, a decisão sempre acontece muito antes da consumação do fato. O que tinha certeza é de que adorava o lugar em que morava agora. Tinha o conhecimento do mundo ali, naquela linda edificação. Construída em 1880, graças à mudança da família real portuguesa para o Brasil, que ocorrera em 1808, Nice tivera a possibilidade e, tempo, claro, de ler os grandes pensadores do mundo, entender os acontecimentos, fazer correlações entre fatos em localidades diferentes e até mesmo acompanhar, sem sair de seu mundo, tudo o que acontecia nesses anos todos.

No entanto, o que mais lhe impressionava é que os mesmos sentimentos que lhe tiraram a vida se passavam com tantas outras pessoas que entravam em seu banheiro. Depois das necessidades, muitas lavavam o rosto e respiravam profundamente, num misto de ansiedade e dor. “Como sobreviver ao mundo se não sobrevivo a mim mesma?”, pensavam muitas delas.

Nice se espantava não por acreditar que esse pensamento era só seu, mas como em um átimo de solidão alguém poderia sentir todo o peso de sua alma num banheiro bonito, mas quase abandonado? Mais que isso, como aquele banheiro poderia ser usado para desprender energia, para liberar o peso que se estava sentindo e voltar à realidade?

Agora, cada vez menos seu banheiro era visitado. Pouco a pouco, a biblioteca vinha deixando de ser fonte de referência; tudo agora podia ser encontrado na Internet e para quê sair de casa e ir a uma praça cheia de mendigos, que fedia antes das 10 horas da manhã?

Em sua especialidade, Nice era capaz de ler almas e de compreender que muitas pessoas passavam a vida tentando mostrar aos outros seus valores e que se frustravam ainda mais quando percebiam que seus esforços eram em vão, pois nunca conseguiam mostrar o que achavam que eram; e as pessoas nunca conseguiam ver como elas sonharam por toda a existência.

Nesse jogo da vida, Nice foi definhando e morreu de tristeza. Nunca conseguiu ser amada como gostaria, nunca conseguiu o reconhecimento que sonhou e nunca teve a paz interna que buscou. Sentia-se confortada ao ver que outras pessoas também passavam pela mesma situação e com inveja por saber que elas não viam que o mais difícil estar em aceitar a si próprias, com suas limitações e qualidades. Entendia a sensação de fracasso e sabia quando elas já haviam entregue os pontos, consumando apenas o fato, após um longo período de constatação.

O expediente chegara ao fim e a luz se apagou por completo. Sentada em seu vaso preferido, Nice leu o poema de Fernando Pessoa de que mais gostava:

“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive”

Escrito por Foradacurva às 21h13
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10/11/2010


Rodada

Seu time do coração havia acabado de ganhar uma partida que o colocava, mesmo que por alguns instantes, na primeira colocação da tabela. No estádio lotado, com milhares de outros torcedores, se sentia a pessoa mais sozinha do mundo, mesmo com todos aqueles fogos, abraços e gritos de guerra.

Na noite anterior não fora diferente, saiu com os amigos para tomar uma cerveja, ver se seus pensamentos mudavam um pouco de foco, mas a sensação ali se fez presente como nunca antes: se sentia só, muito só, como nunca antes na vida.

O que achava mais impressionante é que as pessoas gostavam de sua companhia, de suas piadas, de seu jeito espontâneo e divertido, mas sentia falta de que as pessoas também vissem que era uma pessoa conservadora em seus valores, cheia de princípios, medos e sonhos. Que era uma das pessoas mais justas, honestas que já conheceu, mas que seu jeito extrovertido podia confundir ou até mesmo enganar a todos, inclusive os mais, mais próximos.

Ali, no estádio quase vazio, viu sua vida passar. Lembrou dos erros e acertos, pediu alguns perdões a si, aos que magoou e a Deus. Do alto da arquibancada, tinha seu coração apequenado de tão apertado e doído. Queria quem não se permitia viver por medo de experienciar, tinha sonhos que não podiam ser realizados ou que nunca puderam e não percebeu. As lágrimas escorriam quentes e sem parar, num misto de dor e desespero.

Chegaram os garis e os últimos vendedores de salgadinhos contavam a féria do dia. Tinha vontade de tentar explicar a aqueles que nunca tinham visto antes quem era, mas o que adiantaria? Se quem você mais ama não confia, não lhe dá crédito ou não percebe quem você realmente é, como quem só pode ver a casca pode te entender e amar?

Como havia previsto, no estádio agora completamente vazio, o placar anunciava o gol do rival e a volta para a primeira posição do campeonato. Nem isso tinha mais para agarrar, só lhe restava esperar a próxima rodada.

Escrito por Foradacurva às 00h40
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