Natal

Durante todo o ano acontecem inúmeras comemorações, mas a mais importante para mim é mesmo o Natal. Claro, de família católica, comemoramos o nascimento de Cristo, mas antes de qualquer coisa a data tem um significado ainda maior: o amor.

Esse ano foi bastante confuso, difícil de organizar todas as coisas para entregar e dar conta, mas sobrou sim um tempinho para comprar presente para minha pequena família de 14 pessoas. Sim, adoro saber que todos os anos nos unimos para trocar presentes, papear e se emocionar. Sei que muitos podem dizer: mas não é um absurdo essa coisa mercantilista? mas você e sua família não brigam e só na noite de natal se perdoam?

Não gastamos fortunas comprando presente, é mesmo uma lembrancinha, para dizer o quanto o outro é importante para você, o quanto a gente se quer bem. Sobre as brigas? Uma família italiana e cheia de mulheres é sempre movimentada, mas fomos criadas sabendo que não existe nada mais importante que a família. E cada dia mais acredito nisso: tudo pode acontecer, mas não há nada que me dê um porto mais seguro e acolhedor que os meus.

À meia-noite trocamos os presentes e fizemos o amigo-secreto. Esse ano tirei a Tany e é bom demais dizer o quanto a gente ama alguém em alto e bom som, quanto ela me ajudou, ouviu e me acompanhou esse ano todo. Depois, fomos para o pernil e para os milhares de pratos que minha mãe havia preparado.

Todo ano me emociono ao abraçar meus pais, ver meu vô firme e forte e saber que todos eles continuam ali, com todos os seus defeitos e suas inúmeras qualidades. É um sentimento que não cabe no coração, difícil de explicar, mas uma delícia de sentir!

 

Escrito por Foradacurva às 19h25 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Amor, sexo, transa e pegation

Não sei como é uma roda de bate-papo entre homens, mas gosto absolutamente das rodas femininas. Somos capazes de falar de cinema, roupa, trabalho e namorado com a mesma rapidez que passamos da coxinha, para o escondido e  logo em seguida para os churros com doce de leite e nutella. Outro dia, a conversa ganhou novos contornos sobre qual a diferença entre amor, sexo, transa e pegation (sic).

Amor - fazer amor é aquele dia em que você e ele estão na mesma vibração. Os dois se deliciam com horas de preliminares, se preocupam para que o outro tenha tanto prazer quanto você e, acima de tudo, rola muito carinho, muito dengo, muitas frases fofas. É olho no olho. Você não precisa ter aquele orgasmo espetacular, mas se sente feliz e amada porque o cara se sente feliz e amado por estar a seu lado.

Sexo - é com quem você ama, mas não é um dia em que as preliminares são o mais importante. Vale até ter tomado banho só de manhã, não tirar a roupa completamente e nem estar no ninho de amor. É físico, é mágico e é delicioso.

Transa - mudamos aqui absolutamente de categoria! Passamos àqueles relacionamentos que podem ter uma pessoa que está a fim de seguir com a outra e a outra nada. Pode ser que nenhum dos dois queiram algo sério ou os dois queiram, mas não têm coragem. Assim, seguem se encontrando, mas como fisicamente se entendem, vão simplesmente aproveitando os momentos e aquela boa sensação de bem-estar físico.

Pegation - aqui é a categoria menos desejada e mais polêmica. Apesar de parecer bacana e moderno sexo completamente casual, todo mundo concorda com os perigos (aids, sopapos, etc.) e de quão frágeis e rasos são os sentimentos e os sentidos. Sim, é totalmente carnal, mas aí somos só animais...

Na teoria, essa classificação sem fundo científico nenhum só quer divertir. Na prática, todo mundo quer ter alguém para chamar de seu.

Escrito por Foradacurva às 17h36 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Dentro da caixa, fora da curva

Tive de procurar cartuchos para minha impressora nesta semana e fui fuçar no armário de minha área. Vi uma caixinha com meu nome e não me lembrava o que havia guardado nela. Sapo, tartaruga, cérebro, Mickey, Boo, carimbinhos e uma dezena de brinquedinhos do Mc Donald’s ganharam vida novamente dentro da caixa.

 

Automaticamente eu fui levada ao ano de 2005. Naquela época, eu havia acabado de sair do mundo da Internet para trabalhar no mundo corporativo. Achava que meu jeito informal jamais daria margem para que eu deixasse de ser promovida, levada a sério ou que meus bons conhecimentos do mundo Web, de comunicação e marketing seriam avaliados pelos meus brinquedos, cabelo e jeito de lidar com as situações.

 

Gosto demais de trabalhar, amo o que faço e me entrego com prazer a produzir uma ação, um material bacana, seja ele para o público interno ou externo. Mas eu mudei sim, não visto as mesmas roupas, não tenho o mesmo cabelo, tento ser menos informal e também 99% dos brinquedos de minha mesa sumiram.

 

No começo, me sentia um lixo por achar que era um ET, que não conseguiria me adaptar ao novo mundo, nem a ser corporativa como me pediam. Depois, decidi ser eu mesma, sem rédeas. Hoje, o pêndulo tende a ficar no equilíbrio, ora sou por demais corporativa, ora volto a ser informal demais, honesta demais, objetiva demais.

 

Tenho ainda muito a fazer, muito a melhorar, muito a aprender, mas gosto muito de mim. Dentro da caixa, mas ainda assim fora da curva.

Escrito por Foradacurva às 23h42 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Sede de viver

Hoje, depois de alguns dias passados de meu aniversário, liguei para Tia Lena para agradecer o telefonema que não atendi no dia. Adoro conversar com ela. Do alto de seus 82 anos, tem sempre um conselho, uma história e uma vivência para me contar.

Ela começou me dizendo feliz aniversário e eu dizendo que fazer 34 não é tão legal assim, que envelhecer é difícil porque você ainda tem muita a coisa  a fazer, que o tempo corre sem parar, mas que você já tem consciência de que fez muita coisa e que algumas não gostaria de ter feito ou de ter feito diferente. E que 2009 foi um ano bastante difícil, que eu não vejo a hora dele acabar.

Helena me questionou que o que são 34 contra 82 e completou: "Filha, você só tem 34 anos e o que nos move nessa vida é ter sonhos, é acreditar que pode conquistar coisas, viver cada dia intensamente porque a gente não sabe quando chegará nossa hora. Seja honesta com as pessoas e com você mesma, procure seu caminho e tenha muitos planos para se manter viva e feliz".

Conversamos ainda muitos minutos sobre a Família Trapo e ela terminou sua ligação com a seguinte frase. "Você tem estudo, conhece o mundo, é bonita e cheia de saúde. Não tem como não ser feliz. Eu estou aqui, torcendo por você". 

Escrito por Foradacurva às 20h48 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Niver

Quando a gente é pequeno e fazemos aniversário, nossos pais reúnem seus amigos, a família e os nossos amigos. Vamos crescendo e se envergonhando em receber os velhinhos e os familiares. Aí, tudo o que queremos e fazer festas separadas: para a família um belo almoço no domingo; para os amigos uma balada forte na sexta ou sábado.

Nesse final de semana fiz o processo ao contrário. Depois de anos reunindo meus amigos em uma festa e minha família em outra, fiz um churrasco para comemorar meu aniversário.

É muito bom esse sentimento de ser amada e das pessoas lembrarem de você. É bom saber que seu pais estão sempre a seu lado, que suas irmãs estão ali, que seu avô ainda sabe quem é você; e que seus amigos de anos a fio e os novos estão por ali, comemorando mais um ano de vida, a amizade, a confraternização.

Eu me emocionei muitas vezes, acho que é a idade, mas que dia feliz!

Escrito por Foradacurva às 22h09 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Chuva

Todo sábado tem sido assim: eu enclausurada numa sala e o sol batendo a pino do lado de fora. Depois do curso, naquele calor escaldante, decidi parar no mercado e incluir outras coisas na geladeira que não líquidos. Estava lá pagando quando uma torrencial chuva decidiu abater a cidade.

Peguei meus saquinhos com as compras e, decidida, fui lá ter uma conversa com os pingos. Eram grossos, deliciosamente gelados e sem dó nem piedade despencaram sobre mim. As pessoas estavam bravas por terem sido pegas de surpresa com aquele dilúvio, mas eu, eu descia devagar e afortunadamente o caminho de casa. As gotas caiam, as lágrimas também, mas uma imensa sensação de paz se apossou de mim.

As gotas que caíam deixaram minha alma feliz, meu rosto com um sorriso satisfeito e meu corpo pronto para encarar os percalços da vida.

Escrito por Foradacurva às 10h16 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Amor maduro

Ele com certeza tem mais de 80 anos. Estávamos no Metrô, em direção ao Jabaquara. Um calor delicioso e infernal tomava conta da cidade. Sentadinho, trajando um terno branco, demonstrando estar todo garbo e elegante, ouvia atentamente o motorista cantar as estações.

 

Com seus dedinhos da mão esquerda todos tortos pela artrose e com os dedinhos da mão direita que nunca cresceram segurando o ferro do vagão, ele demonstrava estar bastante ansioso.

 

O cabelinho branquíssimo milimetricamente penteado para trás, os olhinhos azuis se esforçando para não perder sua estação. Foi nesse momento que nossos olhares se cruzaram e eu lhe dei meu melhor sorriso, ele retribuiu timidamente. Até que chegou a estação Santa Cruz.

 

Ele desceu rapidamente para sua idade, mas ao invés de dirigir-se para a escada, virou-se para o lado contrário. O metrô parado e eu olhando aquela cena. Estava começando a descer para ajudá-lo, achando que não havia visto a saída, quando o vejo ir em direção a uma fofa senhora, sentadinha nos banquinhos, tomando um refrescante sorvetinho.

 

Eu fiquei ali, ainda com meu melhor sorriso, vendo aquilo tudo acontecer.

Escrito por Foradacurva às 21h20 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Espectros

Aos meus leitores queridos, faço a pergunta: "Alguém já se pegou olhando para uma pessoa e não se sabe como nem porquê você se depara com um novo olhar sobre aquele rosto tão conhecido?". É um olhar, um ângulo, um sorriso, uma feição; às vezes até um novo rosto por inteiro.

Gosto demais quando isso acontece, aquele velho rosto ganha novas formas, às vezes até assusta de tão diferente, mas também pode surpreender e emocionar. Acredito que são os espectros da alma. Assim como tudo nessa vida é a percepção do outro sobre nós, é como se ali, naquele momento, pudesse se ver um lado escondido, um recôndito pouco visitado de um outro ser.

Nas últimas semanas isso tem acontecido com muita frequência. O que mudou? Eu mudei? Não sei, mas estou me divertindo e gostaria de ter uma câmera capaz de pegar o que vejo e registrar para sempre em mim esses momentos. 

Escrito por Foradacurva às 00h37 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Casamento

Não importa qual a religião, a cultura ou o local, casamento é sempre muito bom de assistir. Por mais que a sociedade esteja incrédula dessa formação familiar - e que não se acredite mais na durabilidade dessa instituição - é um momento único quando duas pessoas dizem o sim.

 

É lindo porque, ao chegar ali, tudo o que você quer é demonstrar ao mundo o quanto se ama aquela pessoa. É festejar ao lado de seus familiares e amigos mais queridos esse momento tão feliz. Mas mais que tudo é o desejo de eternizar o amor que une duas pessoas.

 

Ali, naquele momento, a felicidade transborda dos corações; o corpo transpira boas energias, é, enfim, o ápice de uma história construída e que segue em frente, a partir dali, cheia de ideais, sonhos e planos.

 

Casamento é amor, amizade, companheirismo e respeito. É compartilhar a dor, o prazer, os medos, os questionamentos, os sonhos, os projetos. É saber guardar a crítica, o conselho e a reclamação para hora certa, mas é também não deixar de dizer nada, concluindo que o outro foi capaz de entender seus anseios, broncas e necessidades.

 

Amar é oferecer o melhor de si mesmo ao outro, é dar sem esperar nada em troca. Amar é deixar-se conhecer, é permitir que o outro deixe vir à tona o melhor que possui em sua alma. É fazer o outro feliz, melhor, mais confiante, mais completo, mais humano.

 

Amar é conviver cada dia dessa nova união como se fosse o primeiro. É renovar periodicamente os melhores momentos, é criar uma atmosfera para reviver os bons sentimentos e os votos de uma vida unida e em comum.

 

Casar é a experiência máxima da boa convivência. É amar uma pessoa que tem hábitos, mentalidade, cultura, prazeres, gostos e desejos tão diferentes dos seus, mas que por algum motivo que não sabemos explicar queremos viver juntos, crescer, procriar e prosperar. É mágico, único e especial.

 


Nota do editor: Aos recém-casados Flávia e Dimas desejo toda a paciência desse mundo. Sejam honestos com seus sentimentos e saibam compartilhar seus medos, sonhos e o que os incomodar ao longo da estrada. Muitas felicidades, saúde e realizações para vocês!

Escrito por Foradacurva às 21h22 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Escada vira piano

A ação, feita em conjunto pela agência de publicidade DDB e pela Volkswagen, foi implantada em um metrô de Estocolmo, na Suécia criando um experimento chamado Fun Theory, uma tentativa bem ambiciosa de mudar os hábitos sedentários dos moradores da capital da Suécia.

Para isso, transformaram as escadas de uma estação de metrô em um piano, o que aumentou surpreendentemente o uso das escadas em 66%.

Escrito por Foradacurva às 21h02 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Biloca

Eu estava de férias em Fernando de Noronha quando liguei para casa e minha mãe me contou que minha tia estava internada. Bel é a minha tia preferida, daquelas que vive na sua casa, faz bolos, te cutuca e está sempre a seu lado.

 

Voltei de viagem e fui direto ao hospital. Bel estava na cama, cheia de fios e aparelhos, mas ainda lúcida. Minha mãe havia me contado que ela teve dois aneurismas cerebrais, ficou com um olho paralisado, afetou completamente o sistema digestivo e perderá a memória recente. Bem, eu entrei na UTI. Ela olhou com seus olhos verdes para mim e me reconheceu imediatamente. “Que bom que você veio me ver! Você consegue me dizer o que estou fazendo aqui? Estou com dor de barriga, mas tudo isso por uma dor de barriga?”, ela me dizia.

 

Naquele mesmo dia os médicos resolveram colocá-la em coma para ver se o cérebro parava de inchar. Íamos todos os dias visitá-la. Por longos dias, apenas íamos segurar em sua mão e conversar um pouquinho. Até que um dia o médico decretou morte cerebral e nos deram a chance de despedir-se ainda com o coração batendo.

 

Eu entrei no quarto acompanhada de minha irmã. Ela me disse que a cama estava rodeada de espíritos que iriam confortá-la e recebê-la. Eu peguei pela última vez em sua mão e disse baixinho a seu ouvido o quanto eu amava. Ela sabia, eu sei que ela sabia, mas eu nunca havia dito como ela era importante para minha vida, para minha formação e para minha história. Daquele dia em diante eu prometi não esconder mais meus sentimentos. Foi uma dor sem fim perdê-la, mas também foi um grande ensinamento.

 

Muitas vezes tento lembrar de sua voz, de seus apertões. Cada dia tenho menos clareza, mas consigo lembrar de minha promessa.

Tia, eu te amo e obrigada por essa lição de vida, de amor e de paz.

Escrito por Foradacurva às 19h01 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Bastardos Inglórios (Inglorious Bastards)

Segunda Guerra Mundial. Em uma França ocupada pelos nazistas, Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent) testemunha a execução de toda a sua família pelo Cel. Hans Landa (Christoph Waltz). Alguns anos depois, Shosanna vê cair em seu colo a chance de vingar seus entes queridos ao conhecer o herói de guerra Fredrick Zoller (Daniel Brühl), que se interessa por ela e consegue mudar a pré-estréia do filme no qual é o protagonista para o cinema dela. A presença do alto escalão do III Reich, incluindo Hiltler e Goebbels, atrai também a atenção dos Bastardos, grupo judeu-americano liderado por Aldo Raine (Brad Pitt), que deseja vingar seu povo na noite cinematográfica. Movidos pela sede de vingança, Shosanna e Aldo não sabem dos planos um do outro, mas, de alguma maneira, suas vidas se cruzarão na explosiva noite cinematográfica.

Ao ler este breve resumo do 14º filme de Quentin Tarantino pode parecer mais uma estória de amor durante a Grande Guerra, mas o diretor quer mesmo é provocar. Com o argumento de formar um grupo de soldados judeus-americanos que lutam contra os nazistas, o diretor critica tudo e a todos. É um enredo brutal, cercado de sangue e balas por todos os lados, mas também tem drama, tem cilada e, sobretudo, tem muito humor.

Quentin retrata a guerra de forma nua e crua, não há mocinhos ou bandidos, não há lágrimas nem piedade; cada passo que se dá tem um preço e a vida, aliás, não vale realmente nada em meio ao caos. A todo momento, o espectador se vê chocado com a morte do mocinho, com a sede de vigança da mocinha ou com a catarse que consegue provocar em toda a platéia com seu banho de suco vermelho.

Bastardos Inglórios é o melhor filme de Tarantino, não só pelo roteiro primoroso, mas pela escolha dos atores (Pitt faz uma boca de caipira e um sotaque do interior impagáveis e Landa é espetacular como o carrasco poliglota), pela crítica ferrenha que continua a fazer à sociedade americana e a indústria cinematográfica em que ele está completamente inserido.

Ouço muita gente dizer que não entende os filmes desse diretor. Ouso dizer que Tarantino não é para ser entendido, é para ser vivido em sua magnitude. As emoções explodem na tela, o sangue jorra da alma e como não temperar tudo isso com muita risada? A vida é realmente assim.

Escrito por Foradacurva às 00h10 [ ] [ envie esta mensagem ] []

I say a little prayer for you

The moment I wake up
Before I put on my makeup
I say a little pray for you
While combing my hair now,
And wondering what dress to wear now,
I say a little prayer for you

 
Forever, and ever, you'll stay in my heart
and I will love you
Forever, and ever, we never will part
Oh, how I love you
Together, forever, that's how it must be
To live without you
Would only meen heartbreak for me.
 

I run for the bus, dear,
While riding I think of us, dear,
I say a little prayer for you.
At work I just take time
And all through my coffee break-time,
I say a little prayer for you.
 

Forever, and ever, you'll stay in my heart
and I will love you
Forever, and ever we never will part
Oh, how I'll love you
Together, forever, that's how it must be
To live without you
Would only mean heartbreak for me.
 

I say a little prayer for you
I say a little prayer for you

 
My darling believe me, (beleive me)
For me there is no one but you!
Please love me too (answer his pray)
And I'm in love with you (answer his pray)
Answer my prayer now babe (answer his pray)
 

Forever, and ever, you'll stay in my heart
and I will love you
Forever, and ever we never will part
Oh, how I'll love you
Together, forever, that's how it must be
To live without you
Would only mean heartbreak for me (oooooooooh)

Escrito por Foradacurva às 23h21 [ ] [ envie esta mensagem ] []

O poder da Internet

Esse vídeo é um belo resumo do poder da Internet. Realmente espetacular! 

Escrito por Foradacurva às 22h24 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Sr. Vitório

Hoje é um dia muito especial para mim. Meu avô completa 94 anos!

 

Nunca havia convivido com uma pessoa que passou por tanta coisa, que viveu por tanto tempo e que viu tantas novidades. Nesses últimos anos, descobri que de fato todas as entrevistas que li sobre o processo de envelhecimento eram verdade. O fato incontestável é que seu corpo não acompanha seu raciocínio, sonhos e, principalmente, a vontade de viver.

 

Em uma de nossas conversas, perguntei a ele o que queria fazer nos próximos anos. Eu me surpreendi ao entender que não importa qual idade você tenha, todos nós temos sonhos e desejos na vida. Em minha ignorância, imaginava que uma pessoa nessa idade se preocupa em dar o próximo passo, em acordar no dia seguinte. Que nada! Meu avô quer viajar, comprar coisas, ser feliz.

 

Aprendi também que o tempo transcorre de uma outra maneira. Não importa mais quanto pode durar um dia, afinal, se tem todo o tempo do mundo. E aí é que reside o problema porque todos à sua volta não têm tempo; têm que construir, juntar, viver, gastar, comer, dormir e ser feliz. E como ter paciência para reviver o passado tão longínquo de uma pessoa quando você corre atrás de seu futuro? Tarefa inglória ter paciência para escutar tantas vezes as mesmas estórias.

 

Claro, também tem o lado ruim. Você descobre que a frase “quando fica velho, vira criança” é a mais pura verdade. Faz manha, faz birra, não quer tomar banho, não quer comer de tudo, não quer ter regras. A pior delas é o que acontece com a língua, ela perde todos os freios, se diz qualquer coisa sem pensar nas conseqüências. Beira-se a marginalidade porque não pode se punir um velhinho tão fofo e frágil.

 

Bem, esse é o espectro de uma vida em comunidade com um idoso. Mas, para mim, é uma dádiva que ele ainda exista. Vitório me traz as melhores recordações de minha infância. Não tínhamos dinheiro, tampouco lugares para viajar. Todas as minhas férias eram em sua casa no interior e eu nunca tinha motivos para reclamar! Íamos tirar leite da vaca, comíamos gemada, polenta feita no fogão de lenha, carne de boi dos bons e muita fruta no pé. Eu podia me sujar, eu podia brincar e meu vô estava sempre ali, para me dar bronca e para me dar colo.

 

Tento explicar o que nos une. Tento explicar que o amo e admiro. Sim, todos têm defeitos e cometeram muitos erros ao longo da vida, mas meu vô significa para mim cheiro de manga, cheiro de travesseiro de pena de galinha, cheiro de Silvio Santos, cheiro de laranja baiana cortada sem nenhum ferimento e com furinho para gente chupar. Meu vô tem cheiro de saudade, de chuva, de pé de uva, de sol, de gato.

 

Meus olhos têm andado cheios de lágrimas nos últimos tempos com a fragilidade de sua saúde, o desgraçado do joelho arqueou e dói sem dar trégua, o câncer de próstata agora se instalou, o coração que bate fraquinho, fraquinho e a maldita dentadura que ele quis trocar e o machuca. Sei que em breve ele me deixará, mas tento aproveitar cada momento a seu lado, dizendo o quanto amo e o quanto ele é importante para mim. Nada, nada me faz mais feliz que ver aqueles olhinhos azuis brilhando para mim, dizendo baixinho que sou sua neta preferida para não magoar minhas irmãs e me chamando de Sivia. Eu te amo, querido!

Escrito por Foradacurva às 22h48 [ ] [ envie esta mensagem ] []