Ele com certeza tem mais de 80 anos. Estávamos no Metrô, em direção ao Jabaquara. Um calor delicioso e infernal tomava conta da cidade. Sentadinho, trajando um terno branco, demonstrando estar todo garbo e elegante, ouvia atentamente o motorista cantar as estações.
Com seus dedinhos da mão esquerda todos tortos pela artrose e com os dedinhos da mão direita que nunca cresceram segurando o ferro do vagão, ele demonstrava estar bastante ansioso.
O cabelinho branquíssimo milimetricamente penteado para trás, os olhinhos azuis se esforçando para não perder sua estação. Foi nesse momento que nossos olhares se cruzaram e eu lhe dei meu melhor sorriso, ele retribuiu timidamente. Até que chegou a estação Santa Cruz.
Ele desceu rapidamente para sua idade, mas ao invés de dirigir-se para a escada, virou-se para o lado contrário. O metrô parado e eu olhando aquela cena. Estava começando a descer para ajudá-lo, achando que não havia visto a saída, quando o vejo ir em direção a uma fofa senhora, sentadinha nos banquinhos, tomando um refrescante sorvetinho.
Eu fiquei ali, ainda com meu melhor sorriso, vendo aquilo tudo acontecer.
Aos meus leitores queridos, faço a pergunta: "Alguém já se pegou olhando para uma pessoa e não se sabe como nem porquê você se depara com um novo olhar sobre aquele rosto tão conhecido?". É um olhar, um ângulo, um sorriso, uma feição; às vezes até um novo rosto por inteiro.
Gosto demais quando isso acontece, aquele velho rosto ganha novas formas, às vezes até assusta de tão diferente, mas também pode surpreender e emocionar. Acredito que são os espectros da alma. Assim como tudo nessa vida é a percepção do outro sobre nós, é como se ali, naquele momento, pudesse se ver um lado escondido, um recôndito pouco visitado de um outro ser.
Nas últimas semanas isso tem acontecido com muita frequência. O que mudou? Eu mudei? Não sei, mas estou me divertindo e gostaria de ter uma câmera capaz de pegar o que vejo e registrar para sempre em mim esses momentos.
Não importa qual a religião, a cultura ou o local, casamento é sempre muito bom de assistir. Por mais que a sociedade esteja incrédula dessa formação familiar - e que não se acredite mais na durabilidade dessa instituição - é um momento único quando duas pessoas dizem o sim.
É lindo porque, ao chegar ali, tudo o que você quer é demonstrar ao mundo o quanto se ama aquela pessoa. É festejar ao lado de seus familiares e amigos mais queridos esse momento tão feliz. Mas mais que tudo é o desejo de eternizar o amor que une duas pessoas.
Ali, naquele momento, a felicidade transborda dos corações; o corpo transpira boas energias, é, enfim, o ápice de uma história construída e que segue em frente, a partir dali, cheia de ideais, sonhos e planos.
Casamento é amor, amizade, companheirismo e respeito. É compartilhar a dor, o prazer, os medos, os questionamentos, os sonhos, os projetos. É saber guardar a crítica, o conselho e a reclamação para hora certa, mas é também não deixar de dizer nada, concluindo que o outro foi capaz de entender seus anseios, broncas e necessidades.
Amar é oferecer o melhor de si mesmo ao outro, é dar sem esperar nada em troca. Amar é deixar-se conhecer, é permitir que o outro deixe vir à tona o melhor que possui em sua alma. É fazer o outro feliz, melhor, mais confiante, mais completo, mais humano.
Amar é conviver cada dia dessa nova união como se fosse o primeiro. É renovar periodicamente os melhores momentos, é criar uma atmosfera para reviver os bons sentimentos e os votos de uma vida unida e em comum.
Casar é a experiência máxima da boa convivência. É amar uma pessoa que tem hábitos, mentalidade, cultura, prazeres, gostos e desejos tão diferentes dos seus, mas que por algum motivo que não sabemos explicar queremos viver juntos, crescer, procriar e prosperar. É mágico, único e especial.
Nota do editor: Aos recém-casados Flávia e Dimas desejo toda a paciência desse mundo. Sejam honestos com seus sentimentos e saibam compartilhar seus medos, sonhos e o que os incomodar ao longo da estrada. Muitas felicidades, saúde e realizações para vocês!
A ação, feita em conjunto pela agência de publicidade DDB e pela Volkswagen, foi implantada em um metrô de Estocolmo, na Suécia criando um experimento chamado Fun Theory, uma tentativa bem ambiciosa de mudar os hábitos sedentários dos moradores da capital da Suécia.
Para isso, transformaram as escadas de uma estação de metrô em um piano, o que aumentou surpreendentemente o uso das escadas em 66%.
Eu estava de férias em Fernando de Noronha quando liguei para casa e minha mãe me contou que minha tia estava internada. Bel é a minha tia preferida, daquelas que vive na sua casa, faz bolos, te cutuca e está sempre a seu lado.
Voltei de viagem e fui direto ao hospital. Bel estava na cama, cheia de fios e aparelhos, mas ainda lúcida. Minha mãe havia me contado que ela teve dois aneurismas cerebrais, ficou com um olho paralisado, afetou completamente o sistema digestivo e perderá a memória recente. Bem, eu entrei na UTI. Ela olhou com seus olhos verdes para mim e me reconheceu imediatamente. “Que bom que você veio me ver! Você consegue me dizer o que estou fazendo aqui? Estou com dor de barriga, mas tudo isso por uma dor de barriga?”, ela me dizia.
Naquele mesmo dia os médicos resolveram colocá-la em coma para ver se o cérebro parava de inchar. Íamos todos os dias visitá-la. Por longos dias, apenas íamos segurar em sua mão e conversar um pouquinho. Até que um dia o médico decretou morte cerebral e nos deram a chance de despedir-se ainda com o coração batendo.
Eu entrei no quarto acompanhada de minha irmã. Ela me disse que a cama estava rodeada de espíritos que iriam confortá-la e recebê-la. Eu peguei pela última vez em sua mão e disse baixinho a seu ouvido o quanto eu amava. Ela sabia, eu sei que ela sabia, mas eu nunca havia dito como ela era importante para minha vida, para minha formação e para minha história. Daquele dia em diante eu prometi não esconder mais meus sentimentos. Foi uma dor sem fim perdê-la, mas também foi um grande ensinamento.
Muitas vezes tento lembrar de sua voz, de seus apertões. Cada dia tenho menos clareza, mas consigo lembrar de minha promessa.
Tia, eu te amo e obrigada por essa lição de vida, de amor e de paz.
Segunda Guerra Mundial. Em uma França ocupada pelos nazistas, Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent) testemunha a execução de toda a sua família pelo Cel. Hans Landa (Christoph Waltz). Alguns anos depois, Shosanna vê cair em seu colo a chance de vingar seus entes queridos ao conhecer o herói de guerra Fredrick Zoller (Daniel Brühl), que se interessa por ela e consegue mudar a pré-estréia do filme no qual é o protagonista para o cinema dela. A presença do alto escalão do III Reich, incluindo Hiltler e Goebbels, atrai também a atenção dos Bastardos, grupo judeu-americano liderado por Aldo Raine (Brad Pitt), que deseja vingar seu povo na noite cinematográfica. Movidos pela sede de vingança, Shosanna e Aldo não sabem dos planos um do outro, mas, de alguma maneira, suas vidas se cruzarão na explosiva noite cinematográfica.
Ao ler este breve resumo do 14º filme de Quentin Tarantino pode parecer mais uma estória de amor durante a Grande Guerra, mas o diretor quer mesmo é provocar. Com o argumento de formar um grupo de soldados judeus-americanos que lutam contra os nazistas, o diretor critica tudo e a todos. É um enredo brutal, cercado de sangue e balas por todos os lados, mas também tem drama, tem cilada e, sobretudo, tem muito humor.
Quentin retrata a guerra de forma nua e crua, não há mocinhos ou bandidos, não há lágrimas nem piedade; cada passo que se dá tem um preço e a vida, aliás, não vale realmente nada em meio ao caos. A todo momento, o espectador se vê chocado com a morte do mocinho, com a sede de vigança da mocinha ou com a catarse que consegue provocar em toda a platéia com seu banho de suco vermelho.
Bastardos Inglórios é o melhor filme de Tarantino, não só pelo roteiro primoroso, mas pela escolha dos atores (Pitt faz uma boca de caipira e um sotaque do interior impagáveis e Landa é espetacular como o carrasco poliglota), pela crítica ferrenha que continua a fazer à sociedade americana e a indústria cinematográfica em que ele está completamente inserido.
Ouço muita gente dizer que não entende os filmes desse diretor. Ouso dizer que Tarantino não é para ser entendido, é para ser vivido em sua magnitude. As emoções explodem na tela, o sangue jorra da alma e como não temperar tudo isso com muita risada? A vida é realmente assim.
The moment I wake up
Before I put on my makeup
I say a little pray for you
While combing my hair now,
And wondering what dress to wear now,
I say a little prayer for you
Forever, and ever, you'll stay in my heart
and I will love you
Forever, and ever, we never will part
Oh, how I love you
Together, forever, that's how it must be
To live without you
Would only meen heartbreak for me.
I run for the bus, dear,
While riding I think of us, dear,
I say a little prayer for you.
At work I just take time
And all through my coffee break-time,
I say a little prayer for you.
Forever, and ever, you'll stay in my heart
and I will love you
Forever, and ever we never will part
Oh, how I'll love you
Together, forever, that's how it must be
To live without you
Would only mean heartbreak for me.
I say a little prayer for you
I say a little prayer for you
My darling believe me, (beleive me)
For me there is no one but you!
Please love me too (answer his pray)
And I'm in love with you (answer his pray)
Answer my prayer now babe (answer his pray)
Forever, and ever, you'll stay in my heart
and I will love you
Forever, and ever we never will part
Oh, how I'll love you
Together, forever, that's how it must be
To live without you
Would only mean heartbreak for me (oooooooooh)
Esse vídeo é um belo resumo do poder da Internet. Realmente espetacular!
Hoje é um dia muito especial para mim. Meu avô completa 94 anos!
Nunca havia convivido com uma pessoa que passou por tanta coisa, que viveu por tanto tempo e que viu tantas novidades. Nesses últimos anos, descobri que de fato todas as entrevistas que li sobre o processo de envelhecimento eram verdade. O fato incontestável é que seu corpo não acompanha seu raciocínio, sonhos e, principalmente, a vontade de viver.
Em uma de nossas conversas, perguntei a ele o que queria fazer nos próximos anos. Eu me surpreendi ao entender que não importa qual idade você tenha, todos nós temos sonhos e desejos na vida. Em minha ignorância, imaginava que uma pessoa nessa idade se preocupa em dar o próximo passo, em acordar no dia seguinte. Que nada! Meu avô quer viajar, comprar coisas, ser feliz.
Aprendi também que o tempo transcorre de uma outra maneira. Não importa mais quanto pode durar um dia, afinal, se tem todo o tempo do mundo. E aí é que reside o problema porque todos à sua volta não têm tempo; têm que construir, juntar, viver, gastar, comer, dormir e ser feliz. E como ter paciência para reviver o passado tão longínquo de uma pessoa quando você corre atrás de seu futuro? Tarefa inglória ter paciência para escutar tantas vezes as mesmas estórias.
Claro, também tem o lado ruim. Você descobre que a frase “quando fica velho, vira criança” é a mais pura verdade. Faz manha, faz birra, não quer tomar banho, não quer comer de tudo, não quer ter regras. A pior delas é o que acontece com a língua, ela perde todos os freios, se diz qualquer coisa sem pensar nas conseqüências. Beira-se a marginalidade porque não pode se punir um velhinho tão fofo e frágil.
Bem, esse é o espectro de uma vida em comunidade com um idoso. Mas, para mim, é uma dádiva que ele ainda exista. Vitório me traz as melhores recordações de minha infância. Não tínhamos dinheiro, tampouco lugares para viajar. Todas as minhas férias eram em sua casa no interior e eu nunca tinha motivos para reclamar! Íamos tirar leite da vaca, comíamos gemada, polenta feita no fogão de lenha, carne de boi dos bons e muita fruta no pé. Eu podia me sujar, eu podia brincar e meu vô estava sempre ali, para me dar bronca e para me dar colo.
Tento explicar o que nos une. Tento explicar que o amo e admiro. Sim, todos têm defeitos e cometeram muitos erros ao longo da vida, mas meu vô significa para mim cheiro de manga, cheiro de travesseiro de pena de galinha, cheiro de Silvio Santos, cheiro de laranja baiana cortada sem nenhum ferimento e com furinho para gente chupar. Meu vô tem cheiro de saudade, de chuva, de pé de uva, de sol, de gato.
Meus olhos têm andado cheios de lágrimas nos últimos tempos com a fragilidade de sua saúde, o desgraçado do joelho arqueou e dói sem dar trégua, o câncer de próstata agora se instalou, o coração que bate fraquinho, fraquinho e a maldita dentadura que ele quis trocar e o machuca. Sei que em breve ele me deixará, mas tento aproveitar cada momento a seu lado, dizendo o quanto amo e o quanto ele é importante para mim. Nada, nada me faz mais feliz que ver aqueles olhinhos azuis brilhando para mim, dizendo baixinho que sou sua neta preferida para não magoar minhas irmãs e me chamando de Sivia. Eu te amo, querido!
Um dos maiores orgulhos de minha vida foi quando ensinei Cibele, uma mulher com Down, a ler e escrever. Foi uma sensação única quando ela aprendeu o a, depois o i e depois o b; e que essas letrinhas juntas formavam bia. Depois de juntar as palavras nada pode ser mais espetacular que ler de verdade, ver as palavras fazerem sentido, refletirem de alguma maneira em sua alma. Eu tinha apenas 17 anos, mas dar aula me moldou para minhas escolhas no futuro.
Sempre fui tão apaixonada pelas palavras que escolhi fazer Jornalismo. Eu achava que podia mudar o mundo, que podia consertar as injustiças, que podia tirar as pessoas da ignorância. É por isso que amo textos que me teletransportam para algum lugar, que conseguem me fazer sentir o que o outro sentiu, mesmo que seja uma fagulha.
Hoje, passados alguns bons anos de formada descobri que ler é muito mais que compreensão de texto, é compreender a vida, as pessoas e o que elas querem nos dizer todos os dias. Leio mal, muito mal.
Quero poder consertar isso, tentar entender nas entrelinhas o silêncio, uma frase, um gesto. Quero compreender os movimentos, a politicagem, os pedidos feitos que para mim não fazem nenhum sentido. Quero poder ler melhor para me proteger também. Sou facilmente lida, não escondo meus sentimentos ou posições sobre nada. Sou tão transparente que algumas pessoas usam o que sabem de mim contra mim.
Passamos a vida escondendo coisas debaixo do tapete, à espera que o outro entenda sem que a gente precise dizer. Sim, é preciso ter coragem para se abrir, mas é preciso ainda mais coragem para esconder, pois no momento em que tudo vir à tona, como suportar as consequências?
Quero ler direito, mas isso exige que o outro também permita, queira. Sei que nem tudo pode ser dito, mas que tal o que precisa realmente ser dito, que possa ser realmente lido? Ler significa espiar a alma do outro, deixar ser lido é permitir acesso a uma fagulha importante de você.
Giovana acaba de ter um bebê. O namorado, Helder, só foi à maternidade porque o pai da garota ligou para ele. Durante os 9 meses, Gi seguiu sozinha porque ao contar para o velhote (sim, Helder já passou dos 60 e Gi tem 35) ele disse que não queria aquela criança.
Doeu demais ouvir Gi contar que caiu na rua e não podia ligar para seu parceiro ir acudi-la. Doeu mais ainda quando ela contou sobre os ultrassons e os médicos sempre perguntando do pai do bebê. Ora era a mãe, ora o pai, ora o irmão, mas nada do pai do bebê.
Saímos do quarto e o pai de Gi estava inconsolável. Como que para pedir desculpas, Helder levou um cheque para comprar um carro novo, um presente para o bebê. "Como ele pode achar que compra o bebê com um cheque?", desabafou. Eu, sem palavras, apenas silenciei (juro, eu silenciei). Depois de alguns minutos argumentei que não adiantava a gente tentar passar nosso conhecimento, experiência e vivência para o outro, nada disso ajuda alguém a mudar de idéia. Só vivendo para decidir o melhor caminho, errar e acertar. Viver e desistir de. Só assim é que se aprende, se muda, se renova.
Trem da vida
Ela vai voltar com o escroto? Sim, vai.
Ele é um escroto? Não sei, como posso julgar alguém que não conheço?
Ele fez errado? Sim, se olhar pelo lado dela, mas alguém sabe o lado dele?
Eles vão seguir juntos? Provavelmente não, mas por que não ser feliz enquanto dure?
Ninguém tem o direito de julgar ninguém, você pode até dizer o que acha, mas cada um tem seu tempo e a sua história. Só vivendo, deglutindo, sofrendo, amando, errando para poder avaliar cada passo, seja ele certo, mais ou menos ou todo errado.
Minha amiga Paula me deu um grande conselho outro dia e compartilho com meus estimados leitores. A vida é com um trem, muita gente sobe, desce, senta e dorme, mas a única coisa que a gente não pode esquecer é que quem está no comando somos sempre nós. Não dê ao outro o controle, seja para que lado os trilhos virarem, esteja no controle da sua vida.
"Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!"
Fernando Pessoa
Correndo hoje fiz mentalmente a lista de coisas espetaculares que aconteceram em minha vida:
- O cheiro inesquecível da minha lancheira do Pré
- Brincar com minhas irmãs que tínhamos uma fábrica de brinquedos
- Meu padrinho me erguendo no alto e raspando o bigode em mim
- Guardar até hoje umas meias brilhantes que meu pai me deu
- O Quadro Mágico que eu ganhei do Tio Zé
- Guardar o pêlo da perna do Wendel que a Maria Isabel arrancou dele para mim
- Quando fui estudar no Albino César
- Meu primeiro beijo, o pobre levou umas 3 horas para me beijar
- Passar na faculdade
- Minha Tia Bel linda no casamento da Rá
- Comprar meu primeiro carro
- Tomar vinho e ver o sol se pôr em Santorini
- Visitar a gruta de Nossa Senhora, o Louvre e a Fontana de Trevi
- Chorar ao ver a perfeição de Davi, de Michelângelo
- Ouvir da minha mãe: "Filha, vá em frente. Se não der certo, tô aqui te esperando. Você é meu orgulho, é tudo o que eu queria ser"
- Ouvir do meu pai: "Filha, por que você nunca me contou nada? Vá e resolva. Vou estar sempre do seu lado"
- Minhas irmãs sempre a meu lado
- Meu avô dizendo que me ama
- Eu me despedindo da Elaine e da Tia Bel
- Não ter me despedido do Marcão e do Sr. Autílio
- Dar o "Zúlio" de presente para o Pê
- Ganhar a primeira bicicleta da minha vida aos 31 anos
- A melhor noite de amor da minha vida não foi a minha primeira noite de amor. Inesquecível e indescritível
- O beijo na boca mais trêmulo que alguém pode dar em alguém
- Poder contar com meus amigos e minha família
- Saber que ninguém pode me tirar meu caráter, valores, história e conhecimento
- Sustentar minhas idéias, crenças e contas
- Andar no Ibira num dia frio e sorrir sem motivo, só pensando como a vida pode ser boa
Voltando cinco ou sete anos em minha história, eu responderia a alguém que me perguntasse como era a relação com a minha família e eu diria. "Ah, eu os amo e tenho certeza de que eles também, mas como é bom não ter muito contato e como a gente não se entende!". E olhando para o hoje, o presente e o futuro, eu digo com toda a certeza: "Minha família é meu porto seguro, não importa o que aconteça, eles estão todos lá".
Os últimos anos não foram nada fáceis; os últimos meses então, eu pensei que morreria, mas meu pai, minha mãe, meu avô, minhas três irmâs e meu tio estavam todos lá. Alguns à espera de eu pedir ajuda, outros tentando estender a mão por meio de outros, outros me escutando, outros me aconselhando, outros em completo silêncio.
Todos crescemos, cada um de nós teve de ceder, entender, ouvir, se calar. Minha mãe teve de rever todos os seus conceitos, afinal sua família não tinha o formato ideal (filha separada, filha casada com marido com filhos e por aí vai), minhas irmãs e eu tivemos de treinar a paciência e aprender a não julgar os outros; meu pai teve de entender esse novo formato de família e sair um pouco da concha.
É uma família tipicamente italiana, cheia de gente, de massas, de doces, de fofocas. Tudo é de todo mundo. Difícil conviver com isso? Sim, mas como não compartilhar quando você sabe que ali você realmente pode ser pleno, completo. É em casa que posso ter todos os meus defeitos, que posso ser feliz, sem ser julgada pelo que eu sinto, vivo ou acho.
Aniversário do meu pai
Nesse findi foi aniversário do meu pai. Adoro ver aquela pele branquinha, aquele cabelo cor de palha e aquele olhinho azul olhando para mim e transbordando de amor. Adoro ver que, do jeito dele, me ama e me quer bem. Que nos últimos anos, pude ser sincera, contar meus problemas, ouvir seus conselhos, chorar em seus braços e pedir colo.
Adorei nosso almoço de domingo. Minha família inteira reunida. Nossos risos, nossas piadas internas, nosso querer bem. Meu pai fez 64 anos e eu só peço a Deus que não o tire de mim pelo menos nos próximos 34.
Tô frágil, mas em matéria de família, eu sou um arraso!
O celular tocou na mesma hora de todos os dias, mas Anita não conseguia se mover para fazê-lo parar de gritar em seu ouvido. Seu corpo estava cansado, na verdade, sem forças para se mover. Mas sua alma estava vibrando depois da noite anterior.
Tinha de ir trabalhar e seu senso de dever não permitia que se atrasasse um só minuto, mas como não aproveitar todas as sensações sentidas na noite anterior? Espreguiçou-se longamente, todos os músculos de seu corpo sentiram o despertar, mas não havia nenhuma parte em que a dor não estivesse presente. Começou a tirar seu pijama ali mesmo, deitada, e encontrou manchas roxas na perna, no braço, na barriga. Então, desistiu de levantar imediatamente, queria relembrar cada movimento, cada frase, cada olhar.
Sim, visualmente parecia que havia sofrido, mas não lembrava de ter sentido nenhuma dor. Aliás, tudo fora especial, desde a hora em que se encontraram, desde o momento em que decidiram que aquele dia seria muito especial.
Anita parou para pensar no que estava vivendo. Não era uma paixão apenas baseada na beleza física ou no desejo incontrolável de satisfazer suas necessidades físicas, era uma relação madura, plena. Claro, se portavam como adolescentes, atitudes típicas de quem está redescobrindo o amor, mas se sentia protegida, amada e desejada por aquele homem.
Seus corpos se entrelaçaram; ora com sofreguidão, ora com devoção. Foram horas de amor, mas também foram horas de redescoberta, de se conhecer, de apreciar, de poder dar e receber prazer, sorrisos, esperanças e compartilhar sonhos e desejos.
Ah! Os olhares! Para Anita não há nada melhor que o momento único e indescritível de quando os corpos se unem pela primeira vez, quando esquece-se nome, problemas e medos. E nada melhor do que olhar para o rosto da pessoa amada e perceber que essa sensação tem igual valor. Não que o ápice não seja o melhor e mais intenso momento, mas ali, antes, é como se fossem apenas um. Único.
O lembrete do celular tocou chamando para o mundo real. Seria fácil encarar a rotina do trabalho. Naquele dia, não havia nada mais real do que o que havia sentido e vivido na noite passada.
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