Marcas da paixão
O celular tocou na mesma hora de todos os dias, mas Anita não conseguia se mover para fazê-lo parar de gritar em seu ouvido. Seu corpo estava cansado, na verdade, sem forças para se mover. Mas sua alma estava vibrando depois da noite anterior.
Tinha de ir trabalhar e seu senso de dever não permitia que se atrasasse um só minuto, mas como não aproveitar todas as sensações sentidas na noite anterior? Espreguiçou-se longamente, todos os músculos de seu corpo sentiram o despertar, mas não havia nenhuma parte em que a dor não estivesse presente. Começou a tirar seu pijama ali mesmo, deitada, e encontrou manchas roxas na perna, no braço, na barriga. Então, desistiu de levantar imediatamente, queria relembrar cada movimento, cada frase, cada olhar.
Sim, visualmente parecia que havia sofrido, mas não lembrava de ter sentido nenhuma dor. Aliás, tudo fora especial, desde a hora em que se encontraram, desde o momento em que decidiram que aquele dia seria muito especial.
Anita parou para pensar no que estava vivendo. Não era uma paixão apenas baseada na beleza física ou no desejo incontrolável de satisfazer suas necessidades físicas, era uma relação madura, plena. Claro, se portavam como adolescentes, atitudes típicas de quem está redescobrindo o amor, mas se sentia protegida, amada e desejada por aquele homem.
Seus corpos se entrelaçaram; ora com sofreguidão, ora com devoção. Foram horas de amor, mas também foram horas de redescoberta, de se conhecer, de apreciar, de poder dar e receber prazer, sorrisos, esperanças e compartilhar sonhos e desejos.
Ah! Os olhares! Para Anita não há nada melhor que o momento único e indescritível de quando os corpos se unem pela primeira vez, quando esquece-se nome, problemas e medos. E nada melhor do que olhar para o rosto da pessoa amada e perceber que essa sensação tem igual valor. Não que o ápice não seja o melhor e mais intenso momento, mas ali, antes, é como se fossem apenas um. Único.
O lembrete do celular tocou chamando para o mundo real. Seria fácil encarar a rotina do trabalho. Naquele dia, não havia nada mais real do que o que havia sentido e vivido na noite passada.
Escrito por às 23h32 [ ] [ envie esta mensagem ] [link]



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